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HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE IGUAPE

 

          Por dados oficiais, a cidade de Iguape foi fundada em 3 de dezembro de 1538 (472 anos), sendo que esta data de fundação foi estabelecida em 1938, pelo então prefeito, Manoel Honório Fortes, o qual incumbiu uma comissão de historiadores paulistas, presidida pelo ilustre Afonso d'Escragnolle Taunay, para estabelecerem a data provável da fundação, sendo aceito o dia 3 de dezembro de 1538, fato que teve por base documentos históricos que usam como referência a data de separação de Iguape e Cananéia. A real data da fundação do município é desconhecida. Alguns historiadores chegam a acreditar que já haviam europeus vivendo na região antes mesmo do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral. Em 1577, data em que o povoado foi elevado à categoria de Freguesia de Nossa senhora das Neves da Vila de Iguape, foi aberto o primeiro Livro do Tombo da Igreja de Nossa Senhora das Neves, construída no local conhecido por Vila Velha, no sopé do morro, chamado de "Outeiro do Bacharel",  em frente à barra do Icapara. Não se sabe com exatidão a data da elevação à vila, porém, acredita-se que tenha sido entre 1600 e 1614, quando, neste último ano, foi iniciada a construção da antiga Igreja Matriz, já no local atual, no centro urbano, após a mudança da então freguesia, ordenada pelo fidalgo português Eleodoro Ébano Pereira. A vila foi elevada a cidade pela lei n° 17 de 3 de abril de 1848 com o nome de Bom Jesus da Ribera, porém, em 3 de maio 1849, por meio da lei n° 3, o nome foi modificado para Bom Jesus de Iguape e o costume popular passou a chamá-la de Iguape.

Entrincheiramento de Iguape

            Registros históricos dão conta que em 1532, pouco depois de chegar ao Brasil, Martim Afonso de Sousa ordenara a desocupação por Moschera e pelo Bacharel do território onde hoje está Iguape e pertenceria a coroa portuguesa e, não sendo atendido, ordenara uma expedição chefiada por Pero de Góis, o qual deveria executar a desocupação à força. A essa altura, informados sobre a expedição, Moschera e o Bacharel, apoiados por duzentos indígenas flecheiros, capturaram um navio corsário francês que pouco antes aportara a Cananéia em busca de provisões, apoderando-se de suas armas e munições. Em seguida, fizeram cavar uma trincheira em frente à povoação de Iguape, no sopé do morro, conhecido por "Outeiro do Bacharel", guarnecendo-a com quatro das peças de artilharia do navio francês. Na sequência, dispuseram vinte espanhóis e cento e cinquenta indígenas emboscados no manguezal do Mar Pequeno, subindo a foz da barra do Icapara, aguardando a força portuguesa. Esta, composta por oitenta homens, ao desembarcar, foi recebida sob o fogo da artilharia, sendo desbaratada. Na retirada, os sobreviventes foram surpreendidos pelas forças espanholas, emboscadas na foz da barra do Icapara, onde os remanescentes pereceram, sendo gravemente ferido o seu capitão, Pero de Góis, por um tiro de arcabuz. À esta batalha dá-se o nome de Entrincheiramento de Iguape.

Guerra de Iguape

              Em contrapartida, entre os anos de 1534 e 1536, ao lançar um contra-ataque que ficou conhecido como a Guerra de Iguape, as forças de Moschera e do Bacharel destruíram a vila de São Vicente, matando a maior parte da população, libertando os prisioneiros e incendiando o cartório onde estavam os registros oficiais do município, levando inclusive o Livro do Tombo, fonte oficial de informação sobre a região de Iguape e sobre seus fundadores. Após os ataques, ambos teriam fugido para a Ilha de Santa Catarina, tendo Moschera retornado ao rio da Prata e o Bacharel Fernandes para Cananéia. Os moradores de Iguape continuaram sob o domínio do Bacharel Fernandes e tiveram sua primeira igreja, em homenagem a Nossa Senhora das Neves, construída em 1537. Após alguns anos de existência onde hoje está a vila de Icapara, a falta de água potável, a falta de espaço para expansão e eventuais ataques piratas levaram à transferência da então Freguesia de Nossa Senhora das Neves de Iguape do seu local original para outra área, alguns quilômetros ao sul, entre os anos 1620 e 1625, por ordem do fidalgo português Eleodoro Ébano Pereira, local onde atualmente situa-se o centro urbano do município, em uma sesmaria cedida pelo donatário Francisco Alvares Marinho, sendo o termo de doação assinado em 2 de julho de 1679 por Francisco Pontes Vidal e Manoel da Costa, herdeiros de Cosme Fernandes.

Ouro

               Ainda no século XVI, foram descobertos os primeiros sinais de ouro na região. Devido a grande quantidade do material, a procura logo aumentou e a exploração do ouro de aluvião tornou-se a principal atividade econômica do município. Conta-se que nesse período a riqueza era tanta que as mulheres enfeitavam seus cabelos com ouro em pó. Para evitar o contrabando e intensificar a cobrança de impostos pela coroa portuguesa, foi fundada por volta de 1630 a Casa de Oficina Real de Fundição de Ouro, que é considerada por alguns historiadores como sendo a primeira do gênero no Brasil. Há quem diga que a primeira Casa de Fundição foi estabelecida em São Paulo, por volta de 1580, para fundir o ouro extraído das minas do Jaraguá e de outras jazidas nos arredores da vila. No casarão onde funcionava a fundição hoje está o museu do município. Outros casarões que hoje fazem parte do centro histórico do município também são dessa época. Com o esgotamento das minas e o descobrimento de ouro no interior do Brasil, especialmente em Minas Gerais, o município rapidamente entrou em declínio, voltando depois a crescer com o desenvolvimento da indústria de navegação e com a plantação de arroz.

 

 

 

 

Fontes: - Wikipedia; - Blog "História da cidade de Iguape" (Luciano Faustino); - Historiador Ernesto Guilherme Young.

 

 

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